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4 de março de 2011

Relações pais e filhos e educação

Educação: a importância do diálogo entre pais e filhos

04.03.2011| 01:30

Vivina do C. Rios Balbino - Psicóloga, mestre em Educação, profa. da UFC e autora do livro “Psicologia e Psicologia Escolar no Brasil”
vivinarb@ hotmail.com

Pesquisa recente nos Estados Unidos, da Universidade de San Diego, Califórnia, mostra que crianças e adolescentes, que têm uma refeição diária ou um momento diário para diálogos e interação familiar amistosa podem ter diminuída em até 80% a chance de se envolverem em atos de violência, agressões, drogas e prostituição. Isso é fantástico e precisa ser cultivado.

A família é o primeiro grupo social da criança e atitudes de carinho, atenção e estimulação sensório-motor são fundamentais. Nessa fase se dão as maiores transformações no cérebro infantil. Grandes traumas podem originar graves sequelas na vida adulta.

O recente filme “O Discurso do Rei”, que ganhou o Oscar, é um exemplo importante desses problemas. Assumir com responsabilidade e compromisso a educação dos filhos deve ser uma prioridade para os pais. Acho até que deveria existir um pequeno curso para ser pai e mãe. Talvez seja essa a nossa tarefa mais complexa - educar bem os nossos filhos!

Será que todos os pais estão preparados para essa missão, principalmente na sociedade atual com graves problemas sociais e uma verdadeira revolução nos costumes, valores e atitudes? Consumismo exacerbado, alta competitividade profissional, inclusão crescente da mulher no mercado, revolução tecnológica, a precoce escolarização da criança e as tantas atividades extra-curriculares a que são submetidas.

Sucesso nos EUA, o documentário feito por uma mãe e advogada “Race to Nowhere” (Corrida para lugar nenhum), questiona e faz fortes críticas à cultura da “alta performance” que impera nos subúrbios de classe média alta dos EUA.

Segundo esse documentário, ao longo das últimas décadas, a corrida da população endinheirada para colocar os seus filhos numa universidade de elite cresceu mais do que a oferta de vagas e o resultado é uma competição acirrada com altas cobranças de excelência em notas e múltiplas atividades extracurriculares para entrar na Harvard por exemplo. Lá as boas universidades são caríssimas. Ele chama atenção para os riscos de doenças psicossomáticas, evasão escolar, envolvimento com drogas, agressões, depressão e até suicídio.

Essa tendência de “alta performance” existe também no Brasil, principalmente a precoce escolarização e as múltiplas atividades extracurriculares. Diante de tantas cobranças, as crianças ainda brincam? Não estamos impondo uma agenda muito apertada aos nossos filhos? Essa escolarização precoce não “esconderia” também certo comodismo dos pais ao transferir a responsabilidade da educação dos filhos à escola? Uma excelente reflexão para pais e educadores nesse início de ano letivo.
FONTE: JORNAL O POVO

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