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10 de março de 2011

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Opinião - JORNAL O ESTADO

Quinta, 10 de Março de 2011

Tudo dominado



Existem no Brasil três tipos de políticos que dominam o cenário em todos os níveis da administração. A classificação que se segue não é hierárquica e visa apenas à ordenação do texto.
Comecemos pelo político mercenário. Conhecedor da burocracia, manipulador de uma teia de favores, mestre nas artes do clientelismo, do nepotismo e do fisiologismo, não raro pertencente a uma família tradicional na vida pública, o mercenário presta serviços a qualquer um que se disponha a atender seus interesses. Podem mudar de partido, domicílio eleitoral, companheiros e de ideologia como se fossem roupas. Em atividade, o exemplo mais bem-sucedido é a família Sarney, seguido em vários estados, especialmente nas regiões mais pobres.
Um segundo tipo bem influente é o político ladrão. Diferentemente do mercenário, esse não possui liderança sobre grupos de peso. Quase sempre é um apaniguado que atua como uma espécie de infantaria da corrupção. Sua função é gerir verbas públicas para a) enriquecimento pessoal; b) abastecer caixa dois. É importante que esse tipo não apresente qualquer vestígio de escrúpulo capaz de se incomodar com pacientes que morrem à espera de remédios ou de crianças sem merenda escolar. Sobre esses, prefiro não dar exemplos. No Brasil, quem rouba ganha prestígio, ministérios, comissões em parlamentos e influência em bancos públicos, mas quem denuncia a farra, acaba proscrito e processado.
Por último, e certamente o mais poderoso atualmente, está o político arrivista ideológico. Não que ele tenha conhecimento profundo do que seja ideologia, mas é o que dela se vale para conquistar uma imagem de pureza diante da opinião pública, enquanto atua em conjunto com ladrões e mercenários para obter e manter o poder. Suas posições, aparentemente coerentes e impolutas, mudam de acordo com as circunstâncias. Podem chamar um adversário corrupto e depois se unir a ele com a maior facilidade. Oriundos de movimentos sociais e sindicatos, são capazes de garantir que responsabilidade fiscal é coisa do neoliberalismo, e em seguida dizer, com a mesma gravidade, que essa mesma ferramenta é a chave para a igualdade social. Os exemplos mais vistosos desse grupo são Lula e José Dirceu, com apóstolos nas principais capitais do País.
Evidentemente, existem honrosas exceções que aparecem cada vez mais como excentricidades, como um Heitor Férrer, um Fernando Hugo, um Gabeira ou um Itamar Franco. O resto, a grande maioria, aderiu ao coro dos contentes.

Wanderley Filho - Historiador
 

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