Brincadeira" dos alunos é estudar em casa
Alunos da rede municipal estão prejudicados com a falta de aula e o prolongamento das "férias escolares". Com a greve dos professores, o jeito é estudar em casa
13.05.2011| 01:30
Sindicato e Prefeitura discordam sobre número de escolas paradas - de 400 a cerca de 50, segundo cada um (SARA MAIA)
Tem horas que a brincadeira na rua fica cansativa e o desenho animado enfadonho. A vontade que dá é conhecer um mundo novo que só através da escola se pode encontrar. Com a greve dos professores municipais instaurada desde o fim de abril, muitas crianças se sentem prejudicadas com o prolongamento das “férias escolares”.
Ontem, O POVO visitou escolas situadas em bairros de três Secretarias Executivas Regionais. Na maioria, portões fechados e avisos nas portas alertando sobre o estado de greve.
Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute), a adesão tem sido de 90% dos professores. Já a Secretaria Municipal de Educação (SME) considera a paralisação de apenas 50 escolas, de um total aproximado em 460. A principal reivindicação é para o cumprimento da implantação do piso salarial, segundo a lei número 11.738.
A secretária da Educação Ana Maria Fontenelle garantiu, em entrevista coletiva na quarta-feira, que o motivo da greve deverá chegar a um termo com a readequação das verbas. Um projeto de lei será encaminhado pela prefeita Luizianne Lins à Câmara dos Vereadores ainda este ano.
Enquanto nada se resolve, a opção para as crianças é aproveitar o tempo livre e tentar não atrapalhar tanto a rotina dos pais. Entre pedaladas de bicicleta pela rua e programas na televisão, o que a pequena Camile Salviano, 8, mais tem gostado de fazer nesses dias é ler histórias em quadrinho.
A menina adora português, mas como não está tendo aulas, essa acaba sendo a diversão que mais a aproxima da rotina escolar. “Eu me sinto prejudicada com a falta de aula”, diz. E a estudante Maria Izabel de Castro, 10, completa. “A gente fica procurando o que fazer, mas tem horas que cansa. Queria mesmo era voltar para escola”, revela.
O autônomo Edson de Paiva, 46, não tem dado descanso para a filha Maria Tereza, 6. Mesmo sem aula, a menina tem feito exercícios e leituras. “Essa é uma fase muito importante de aprendizado. Eu e a mãe dela passamos alguns deveres e leituras para mostrar que o estudo é fundamental”, afirma o cuidadoso pai.
Sem interesse?
Para a costureira Valdeci Amaro Martins, 39, a falta de aula nas escolas municipais pode interferir no interesse do filho pelos estudos. “Ele só tira nota boa, é muito estudioso. O perigo para quem não tem nada o que fazer é se envolver com as drogas”, teme. Outra preocupação é com quem deixar os pequenos nesse período. A mãe da Luana de Fátima Pinheiro, 6, trabalha e não tem condições de ficar com a menina durante o dia. A saída foi contar com a solidariedade da avó. “Fico com ela das sete às dezenove horas. A gente tem que ajudar nesse momento, mas criança dentro de casa por muito tempo empalha os afazeres”, desabafa.
E agora
ENTENDA A NOTÍCIANão existe perspectiva para o fim da greve dos professores e retorno das aulas nas escolas da rede municipal de ensino. Enquanto isso, muitas crianças tem usado o tempo livre para estudar em casa. A paralisação iniciou justamente quando as férias terminariam
Viviane Gonçalves
vivi@opovo.com.br
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