A EDUCAÇÃO
As crianças no século XVIII eram submetidas a sistemas educacionais inflexíveis, não lhes sendo permitida a livre iniciativa e a conduta espontânea relativa. O comportamento da criança obedecia a padrões absolutos. Em 1762, Jean Jacques Rousseau em sua obra Émile, inspirava a reforma educacional. Consignava que a criança não devia receber fortes restrições, defendendo um comportamento espontâneo, o qual possibilitava a expressão livre de sentimentos, tendências, idéias e vocação, como também a projeção de conflitos.A obra de Rousseau sensibilizou o educador suíço Johann Pestalozzi que dedicou sua vida a educar filhos de pobres, notabilizando-se com as primeiras tentativas de cuidar humanamente da educação dos excepcionais. Posteriormente, no século XIX, as idéias de Rousseau e Pestalozzi influenciaram Froebel, educador alemão que educava a criança como uma flor, que floresce melhor quando cuidada por um jardineiro interessado. Preconizava recreação livre com excursões pelo campo, estudo da natureza e trabalhos manuais, sob orientação de um professor (Kindergarten).Os estudos da Psiquiatria infantil se desenvolveram a partir do século XIX. Uma das grandes psiquiatras infantis Lauretta Bender subestima interpretações intelectuais, considerando uma ambiência permissiva na qual a criança possa expressar livremente seus sentimentos. Fez importantes observações sobre sintomas emocionais (psicossomáticos). Defendeu a recreação e a livre expressão, advertindo, entretanto, que a completa licença de expressar qualquer sentimento, de liberar indistintamente quaisquer impulsos, poderia levar a uma desintegração do caráter.Estudos contemporâneos têm dado ênfase especial às relações mãe-filho. Mães frias e emocionalmente afastadas dos filhos determinam distúrbios no comportamento da criança, dificuldade de adaptação social. Mães rejeitadoras e indiferentes apresentam filhos tensos e negativistas. A criança separada de sua mãe apresenta três períodos distintos: protesto, desespero e finalmente indiferença. Torna-se então uma criança frustrada, sem ideal, podendo se constituir mais tarde um indivíduo nocivo à família e à sociedade. Portadores de conflitos infantis de relação com os progenitores. Os pais têm também papel significativo na produção dos transtornos da criança, alterando a dinâmica intra-familiar, interferindo no bem-estar psíquico e social da família, traumatizando os filhos os quais passam a apresentar distúrbios do sono, enurese, hostilidade reprimida, anorexia, instabilidade emocional e insuficiência escolar. Os pais devem refletir o equilíbrio e a orientação básica da família.O desenvolvimento cognitivo com base emocional, constitui o cerne da pesquisa de Jean Piaget explicando como as emoções dão origem à inteligência. Erikson ampliou a teoria psicanalítica do desenvolvimento, focalizando não somente as primeiras experiências da criança. Descreveu um mundo mais amplo com a família, sociedade e professores interagindo no contexto cultural da vida, estudando o desenvolvimento na puberdade e após, ao longo da vida. Diremos, então, ´que o homem deve conhecer os segredos do espaço sideral. Mas não conhece ainda os segredos de sua própria mente´.Educando a criança, evitamos punir o adulto. E o jovem? Tem que aprender e muito com os mais experientes. Com sua formação familiar, profissional, cultural e social. A liberação prematura e ilimitada dos adolescentes nos países que se dizem primeiro mundo tem sido desastrosa diversas vezes. Não há exceções. Pais e professores devem ensinar e educar. Criança e jovem aprendem e se formam. Os professores são considerados agentes do bem-estar psicossocial, emocional e cultural das crianças e adolescentes. Devem ser considerados, estimados e respeitados. Jamais agredidos. Não existe jovem onisciente, nem onipotente. Aqueles que assim se consideram estão fora da realidade objetiva, sem educação e sem religião.
JOSUÉ DE CASTROMédico, professor e escritor
Publicado no Jornal Diário do Nordeste - 19 de Julho de 2009
Nenhum comentário:
Postar um comentário